“The Burning Man” – “Homem em chamas” – é uma espécie de festival de contracultura, realizado anualmente desde 1986 em Black Rock Desert, no estado americano de Nevada, e costuma atrair dezenas de milhares de pessoas.

Black Rock City tem cinema, templos e mesmo um aeroporto, mas lá não existem lojas. Não há trâmite de dinheiro e cada um precisa trazer o que irá necessitar durante a estada de uma semana. A região parece mais um local “onde Mad Max encontra Woodstock”. O tema deste ano foi “Carnival of Mirrors“-“Carnaval dos Espelhos”, quando as pessoas foram confrontadas com seus vários “eus”: o “eu” que elas querem ser (mas não são), o “eu” que elas repudiam (mas são), o “eu” que não podem imaginar ser”(mas que poderiam ser).

Durante 7 dias, imensas esculturas e instalações em madeira são criadas e montadas em pleno deserto. Contrariamente ao que acontece com obras de arte e com o mercado de arte, nenhuma destas obras irá se eternizar, muito menos se valorizar através do tempo, percorrendo os caminhos tradicionais de galerias e leilões. Na última noite, todas as obras serão queimadas intencionalmente. Todos os presentes ao evento estão lá para ver isso acontecer. Grandes fogueiras crepitando e transformando em fumaça e cinzas o resultado de sentimentos de seus criadores.
Mas por quê? Por que destruir arte? Os artistas dizem que precisam se libertar do que já passou para dar espaço ao futuro. Há controvérsias. E muitas.
Uma obra, uma vez criada, não pertence mais ao artista. Ela pertence ao mundo. E ao futuro. Só cabe ao homem virar cinzas. E pó. Não cabe às suas criações virarem cinzas. Nem pó.
Para ver fotos magistrais do “Burning man” de 2015, clique aqui. E mais dois fantásticos vídeos feitos por drones (duração: 5:45 e duração 5:51)
Autor: Catherine Beltrão



